Março15
Ontem peguei meu jornal dominical para ler e surpresa, mudança na tipografia e no papel. Ok. Um editorial que falava a mesma coisa do começo ao fim; mudamos a forma mas não o conteúdo. Fui lendo, gostei do papel, não tem aquele cheiro! Cheguei no meu querido Caderno 2 (assino o Estadão) e tive duas surpresas.
1 Desespero por não ver a crônica do excelentíssimo João Ubaldo Ribeiro ao qual sou fã de carteirinha. O livro “Viva o povo brasileiro” é um dos melhores que já li, mudou meu jeito de ver muita coisa na vida! (para os desavisados não é auto-ajuda, é o livro mais irônico do século, com um humor inteligente raro por aí) O João Ubaldo vale um adendo. Já lia as crônicas dele e sabia da irreverência do autor, ai estreou no teatro ” A Casa dos Budas Ditosos” em que uma mulher fala de suas experiências sexuais durante toda a vida. A peça vai em um crescente e em certo momento ela fala que só faltou transar com o pai. Metade da platéia ficou roxa e metade caiu na gargalhada. Até ai tudo bem não fosse eu tido a idéia brilhante de levar meu dating da época para assistir junto com nada menos que meus pais. Não preciso nem dizer qual foi a parte da platéia que estava roxa né? Voltando!

Lendo o jornal minha segunda surpresa foi o artigo do Daniel Pizza (que admito, era preconceituosa e não lia nunca). Ele fala sobre o Oscar de melhor filme estrangeiro e comenta o roteiro de “O segredo dos Seus Olhos” que ganhou. Vale ler o artigo todo é só clicar aqui. Fui ver o filme ontem a noite, realmente mereceu, com viradas totalmente inesperadas, ações sem falsos julgamentos e citando o Daniel “Idéias sem ideologias”.
Nesse aspecto temos que baixar nossa bola e admitir que precisamos aprender muito com nossos hermanos.
Março3
A gente fica mais sensível às vezes, principalmente a mulherada, hoje to sensível a cheiros, com o olfato aguçado, sei lá eu porque. Voltando do almoço e sentindo todos os cheiros da rua acabei lembrando de uma cena do “Saneamento Básico, O Filme” de Jorge Furtado em que na hora de ler o roteiro que estão fazendo dentro do filme, uma personagem pergunta como é que eles poderiam sentir o cheiro que está descrito se aquilo vai ser um filme.

Saneamento Básico no final das contas é uma aula de roteiro, não só pelo filme ser muito bom, como pela história em si em que os personagens precisam fazer um filme e nunca pegaram em uma câmera. Os questionamentos parecem simples, mas são muito válidos para não esquecermos na hora de escrever. Morri de rir coma ironia toda da secretaria de cultura da cidade não ter dinheiro para fazer obras de saneamento, mas ter dinheiro sobrando para fazer um filme. Apesar do nome infeliz, é uma comédia!
Jorge Furtado é um dos caras que mais admiro no cinema nacional, ele explodiu quando lançou o curta “Ilha das Flores” que é totalmente necessário assistir ou rever.
Além disso, virou queridinho da Globo duplando com Guel Arraes que também adoro. Realmente, esses dois juntos ninguém segura.
Bom obviamente falando em cheiro e cinema nacional aqui vai a última dica que é o longa “O Cheiro do Ralo” de Heitor Dhalia. Esse ainda é um dos filmes que o Selton Melo não está fazendo papel de Selton Melo.
Março2

EXT- PISCINA DE CASA – DIA
Em uma tarde ensolarada uma menina está em uma piscina cheia de tubarões pretos. Ela começa a encará-los e bater em suas caras, eles se intimidam e param de atacá-la. Um tubarão cinza, porém começa seu ataque sozinho. Ele é diferente dos outros, maior e mais forte. Ela foge para dentro da casa, tranca a porta. O tubarão sai rastejando da piscina e entra na casa pela porta dos fundos. Quando já está no corredor vem um elefante, ela fecha os olhos e o elefante tropeça no tubarão e cai no sofá com outro elefante já sentado. Ela aproveita que o tubarão está tonto e o joga na piscina. Ele nada de ponta cabeça para se disfarçar, se os outros perceberem que ele é diferente ele estará morto.
FIM
Fazia tempo que não sonhava tão claramente, normalmente de manhã há ou fragmentos sem sentido ou nada.Sim esse foi meu sonho, mas não fui nem de perto a primeira a pensar em transformá-lo em filme, quem fez isso já em 1929 foi Luis Buñoel e Salvador Dalí em Um Cão Analuz (Un Chien Adalou) eles faziam parte do movimento surrealista esse filme é o que o simboliza. Além disso estavam na época de descobertas do inconsciente.
Acho que sonhos abrem a nossa cabeça para nos mostrar metáforas de nossas vidas e colocá-las em filmes, podem levar o espectador mais atendo a um melhor entendimento da história, enquanto isso em nada afetará o espectador médio.
Repito que a tecnologia nos permite sonhar cada vez mais alto, e esse tipo de filme nos leva a um pensamento não linear, para o fantástico e o não convencional. Isso pode fazer com que o espectador viaje com você no filme, entre na loucura, assim como em Trainspotting (que você TEM que ver) o cara entra na privada e nada atrás de algo que ele quer pegar. A privada vira um grande lago totalmente surreal, nesse caso é por causa das drogas que acontecem as viagens, mas a gente não precisa disso para encontrar nosso inconsciente.
Última dica: vi no Instituto Moreira Salles do Rio a exposição “Os sonhos de Grete Stern: fotomontagens” em que ela trabalhava para uma revista feminina e recebia sonhos das leitoras por carta e com isso fazia fotomontagens. O insituto em si já vale a visita (antiga casa dos Moreira Salles, dono do Unibanco que teve entre seus filhos os cineastas Walter Salles e João Moreira Salles.)

Abram suas cabeças, liberem a mente e sonhem.
Um Cão Andaluz – parte 1
Um Cão Andaluz – parte 2