Roteiro Sem Rumo

Para quem ama roteiros.

Como ser autor de novela?

Agosto23

Participo do grupo GRTV do Yahoo! grupos e lá todo mundo quer ser autor de novela, ou pelo menos a grande maioria ficaria bem feliz com o cargo de roteirista da teledramatrugia brasileira. Depois de muita gente perguntar “Como ser autor de novela?” o Leonardo de Moraes, moderador do grupo fez um artigo que recomendo a todos os aspirantes a roteirista, profissionais e curiosos a lerem.

Segue:

“Como faço para ser um autor de novelas?”

O GRTV não tem por objetivo único os roteiros de telenovela, mas sim a criação ficcional como um todo (teatral, literária, cinematográfica). De qualquer forma, essa pergunta é uma constante por aqui… e sempre será… Muito provavelmente porque os profissionais da escrita melhor remunerados no Brasil são, sem dúvida, os autores de telenovela.

A reclamação constante dos novos autores é com a falta de abertura do mercado, da desatenção das emissoras aos novos talentos, etc. etc. etc. Mas a verdade é que… Quando pretendemos nos tornar profissionais de uma área, precisamos deixar de lado a ingenuidade e começar a encarar a realidade do mercado desde logo.

Imagine um candidato a piloto de avião. Imagine que ele tem o dom da direção aérea, já que desde pequeno era expert com um manche.Imagine que ele, ao invés de treinar num monomotor, bimotor, ou no jatinho do papai com supervisão do próprio, vai logo pegar um Boing 757 sozinho…

Será que isso é seguro?

Comandante e comandados não estão correndo sério risco de se espatifar no chão?

As telenovelas são consideradas os “boings” da programação brasileira. Pilotá-las ou co-pilotá-las exige HORAS DE VÔO.

Por que?

1) A quantidade de escrita: são 200 capítulos, cada um com aproximadamente 40 páginas. Total:  8000 páginas. Somando a isso a sinopse, perfil de personagens e cenários, capítulos reescritos (porque certo ator teve gripe, a atriz surtou, a produção não conseguiu gravar a externa), as inserções de merchandising (de última hora)… Temos por baixo, umas 10.000 páginas.

2) O ritmo: todo dia tem de ser escrito um capítulo, porque todo dia é gravado um capítulo e todo dia vai ao ar um capítulo. Não tem choro nem vela. E de preferência, há que se manter a “frente” (se estão gravando o cap. 120, o ideal médio é estar escrevendo o cap. 140).

3) É necessário “jogo de cintura” e “capacidade para administrar problemas”:enquanto escreve, o autor não fica ilhado numa choupana nas montanhas. Ele tem de lidar com opiniões divergentes de produtores, diretores e atores – e também das revistas de fofoca e do PÚBLICO!!! Ao longo dos 12 meses de produção de uma telenovela (oito no ar, quatro de pré-produção em média) ele tem de enfrentar questionamentos, do tipo: porque essa cena tem de ser em externa e não estúdio? Porque a Fulana tem mais falas que a Beltrana? Porque é preciso gastar dinheiro produzindo um coquetel a rigor, se vão ser gravadas apenas 4 cenas? Porque a mulher do diretor não está aparecendo em todos os capítulos? É possível (mesmo em desacordo com a sinopse), criar uma trama especial pro filho do primo do principal anunciante? E agora, como fazer pra disfarçar o erro no casting do protagonista?

4) É preciso ser criatiiiiivoooo: cada capítulo tem em média 4 breaks. Cada break pede um gancho (essa é a regra de ouro!). E o bloco final tem de ter, tecnicamente falando, dois ganchos – um na trama paralela e outro na trama principal. E pra se criar um gancho DE VERDADE, é preciso inventar algo curioso, uma crise dramática, uma dúvida, o aparecimento de alguém ou alguma coisa… E isso tem de ser suficientemente bom, pra alimentar a curiosidade do público, mas não pode ser suficientemente forte pra alterar os rumos da trama, previstos na sinopse (a menso que a história esteja em ‘ponto de virada’ ou ‘de resolução’).

5) Não dá pra deitar nos louros: se você escreveu quatro cenas “do caralho” e elas foram ao ar ontem, elas já são como jornal velho. A sua paga será alguns telefonemas de parabéns e talvez um ‘remember’ no Vídeo Show, alguns anos adiante. Se você não conseguir prender o público com a tua estrutura narrativa, não há “frases de efeito” e “diálogos singulares” que te segurem na função. Melhor ir para o teatro, onde os “momentos de genialidade no texto” são mais perenes, ou para o cinema, onde “cenas antológicas” podem ser sempre revistas. Quando se trata de telenovela, o que vale é o conjunto da obra, que tem de ser regular, homogêneo e bom ao longo de oito meses de duração.

É importante lembrar sempre: uma coisa é gostar de novela, outra coisa é gostar de escrever novela.

No Brasil, todo muito se acha um pouco técnico da seleção, presidente da república e autor de novela. É comum ouvirmos “se fosse eu, faria muito melhor…”.

Será que faria mesmo?

Se a escrita de telenovelas é o seu objetivo, vambora, que cada um sabe o tamanho de seu sonho…

Mas manter os pés no chão é fundamental para se chegar a algum lugar!

Para isso, vale a pena estudar a biografia dos grandes autores de televisão. Aliás, vale a pena estudar a biografia de todos os grandes escritores, seja de literatura, cinema, TV ou teatro. É entendendo sua trajetória, que conseguimos vislumbrar “como seria possível” encaminhar a nossa própria vida na arte da escrita.

E uma reflexão que jamais deve sair da mente: Ou o tesão mora no ato de escrever, ou ele não existe de verdade!

Porque não existem condicionantes ao verdadeiro talento.

Escrever exige somente papel e lápis.

Teclado e pendrive.

Criatividade e alfabetização.

Um escritor que só se realiza escrevendo capítulos/sinopses de telenovelas (que muito provavelmente nunca serão produzidas) e que jamais tentou escrever uma peça de teatro para ser ensaiada pelo grupo de sua faculdade/comunidade, que jamais escreveu sequer um conto para ser lido e criticado por colegas… tem muito menos chances de se desenvolver na carreira, do que o cara que escreve suas histórias, as inscreve em concursos, faz seus curtas-metragens, produz suas montagens e corre atrás da arte de contar histórias, sem condicioná-la a esse ou aquele veículo narrativo.

No mais, grande abraço a todos!!!

E votos de imensa criatividade!

Leonardo de Moraes


Brasil

Fevereiro25

Já falei aqui dos dois produtos supra-sumo dos EUA, filmes de longa metragem e séries de TV. Agora vou falar qual é o produto nacional mais vendido para outros países e que difunde a nossa cultura. Quem é ssssperto já sabe; novelas.

A que mais acompanho é a Tempos Modernos por que gostei do estilo diferente do Bosco Brasil (autor que já colaborou muito, mas é a primeira solo). Ironicamente o horário das 7 deixou de ser da “novela do macaco” (Caras e Bocas) para ser a “novela do computador”. Sim a evolução é equivalente. O elenco é de longe melhor do que o da novela das 8, se eu fosse o Maneco estaria com inveja.

A novela das 6 eu nem sabia como chamava e a das 8 ta mais devagar que tartaruga manca, tanto no ibope quanto na qualidade da trama.

Existe muito preconceito quanto as nossas novelas, intelectuais falam mal pra caramba, muita gente tem vergonha de admitir que assiste, mas uma coisa é fato, é a partir da novela que o Brasil se projeta no exterior, foi vendendo filmes e séries que os americanos atingiram a hegemonia cultural e a gente tem um produto de qualidade que eles não chegam nem perto de fazer. Conseguimos  um espaço no mercado audiovisual mundial  em que não há concorrência americana.  Se não tivéssemos nossas novelas seria mais conteúdo importado em nossas telas todos os dias.

Eu celebro a novela, vejo o valor, acho que deve ser vista como um produto de entretenimento e não educativo, sim ela muda comportamentos por que infelizmente a educação no nosso país não é suficientemente forte para as pessoas terem discernimento e consciência de pensamento.

Ufi, desabafei. Um autor de novela que eu amo tem um blog mega famoso que vale dar uma olhada é o Aguinaldo Silva. Ele “supervisionou” o Bosco Brasil na novela Tempos Modernos.

Depois faço um post especial.  Blog do Aguinaldo Silva

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